Cerca de 10 milhões de pessoas no Brasil convivem com osteoporose, porém apenas 20% delas sabem que têm a doença. Essa doença fragiliza os ossos, aumentando o risco de fraturas que podem comprometer a mobilidade, independência e até a expectativa de vida. Na maioria das vezes o paciente não vai apresentar sintomas até que aconteça a primeira fratura, que pode ocorrer em locais como punho, braço, coluna e quadril.
O que é Osteoporose?
A Osteoporose é uma doença caracterizada pela perda da massa óssea e pela deterioração da microarquitetura dos ossos. Isso os torna mais frágeis e suscetíveis a fraturas, mesmo em situações de baixo impacto, como uma queda da própria altura. Ela ocorre de forma silenciosa, sem sintomas aparentes, e evoluiu ao longo dos anos. É mais frequente em mulheres após a menopausa, devido à queda dos níveis de estrogênio, mas também pode afetar homens e pessoas mais jovens em situações específicas.
Em geral, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens sofrerão uma fratura osteoporótica. Para as mulheres, o risco é maior do que o câncer de mama, ovário e útero somados. Para os homens, o risco é maior do que o de câncer de próstata.
Quais as causas da Osteoporose?
A Osteoporose é uma doença multifatorial. Isso significa que ela pode estar relacionada a diferentes fatores, entre eles:
- Envelhecimento: com o passar dos anos, a formação de osso diminui e a reabsorção aumenta, favorecendo a perda de densidade.
- Alterações hormonais: a queda do estrogênio nas mulheres e da testosterona nos homens acelera a fragilidade óssea.
- Deficiência de cálcio e vitamina D: essenciais para a formação e manutenção da estrutura óssea.
- Sedentarismo: a falta de exercícios reduz o estímulo que fortalece ossos e músculos.
- Histórico familiar: pessoas com parentes próximos que tiveram Osteoporose apresentam maior risco, principalmente os pais com história de fratura de quadril.
- Uso prolongado de medicamentos: corticóides, por exemplo, podem afetar negativamente a densidade óssea.
- Doenças associadas: artrite reumatóide, distúrbios da tireóide e diabetes estão entre as condições que aumentam a vulnerabilidade.
Como prevenir a Osteoporose?
A prevenção é a melhor estratégia, especialmente porque a doença avança de forma silenciosa. Assim, quanto antes os cuidados começarem, maior a chance da pessoa manter os ossos fortes e saudáveis. Além disso, reduzir fraturas significa também evitar complicações graves: no Brasil, cerca de 200 mil mortes por ano estão relacionadas à Osteoporose
Algumas formas de prevenção da Osteoporose incluem:
- Alimentação equilibrada: ingestão adequada de cálcio e vitamina D é essencial para a saúde óssea. Além disso, a proteína desempenha papel relevante, pois contribui para a manutenção e o fortalecimento da massa muscular, que dá suporte aos ossos e ajuda a prevenir quedas.
- Exposição ao sol: a luz solar é importante para a produção de vitamina D no organismo.
- Atividade física regular: exercícios focados em equilíbrio, funcionalidade e força muscular de moderada a alta intensidade com atenção especial aos exercícios de resistência (musculação).
- Evitar tabaco e excesso de álcool: ambos aceleram a perda óssea e aumentam o risco de fraturas.
- Avaliações médicas periódicas: permitem identificar fatores de risco e iniciar a prevenção precocemente.
- Prevenção de quedas: adaptar o ambiente doméstico e cuidar do equilíbrio físico reduz o risco de acidentes.
Como é feito o diagnóstico da Osteoporose
O diagnóstico da Osteoporose pode ser feito pela densitometria óssea ou pela identificação de fraturas já existentes. A densitometria é um exame rápido, indolor e de baixa radiação que mede a densidade mineral dos ossos, geralmente na coluna lombar e no quadril.
É fundamental também a busca ativa de fraturas vertebrais por meio de radiografias da coluna torácica e lombar (AP e perfil), já que cerca de dois terços dessas fraturas são assintomáticas e, portanto, passam despercebidas.
Além dos exames de imagem, os médicos avaliam o histórico clínico e familiar, os fatores de risco individuais e, quando necessário, solicitam exames laboratoriais para verificar os níveis de cálcio, vitamina D e hormônios que influenciam na saúde óssea.
Outra ferramenta valiosa é o FRAX® (versão brasileira aqui), que estima a probabilidade de fraturas nos próximos dez anos com base em informações clínicas como idade, sexo, peso, altura, histórico de fraturas e hábitos de vida.
A Osteoporose tem cura?
Não, a Osteoporose não tem cura definitiva. No entanto, pode ser controlada. Isso significa que, com acompanhamento adequado, é possível reduzir a progressão da perda óssea e diminuir significativamente o risco de fraturas.
Quais os tratamentos para a Osteoporose?
O tratamento para a Osteoporose depende da gravidade da doença e das características de cada paciente. O objetivo é reduzir a perda óssea, fortalecer os ossos já fragilizados e, principalmente, prevenir fraturas que comprometem a qualidade de vida.
Medicamentos
Entre as opções mais utilizadas estão os bisfosfonatos, que diminuem a reabsorção óssea e ajudam a manter a densidade dos ossos. Em alguns casos, também podem ser indicados medicamentos que estimulam a formação de osso novo, contribuindo para restaurar parte da estrutura perdida. A escolha do fármaco deve ser baseada na estratificação de risco do paciente e possíveis efeitos colaterais.
Suplementação
A suplementação de cálcio e vitamina D pode ser necessária quando a dieta e a exposição solar não garantem níveis adequados desses nutrientes. Ambos são fundamentais para a mineralização e a manutenção da saúde óssea. O cálcio é o principal componente estrutural dos ossos, enquanto a vitamina D favorece sua absorção pelo organismo.
Mudanças no estilo de vida
Adotar hábitos saudáveis é parte essencial do tratamento. Isso inclui manter uma alimentação rica em nutrientes importantes para os ossos, praticar regularmente atividades físicas que fortalecem músculos e ossos, e abandonar hábitos prejudiciais, como o tabagismo e o consumo excessivo de álcool.
Prevenção de quedas
As quedas estão entre as principais causas de fraturas graves em pessoas com Osteoporose. Hoje, o Brasil registra em média 127 mil fraturas de fêmur por ano, e a projeção é de que esse número chegue a 160 mil até 2050 se nenhuma medida eficaz for adotada. Por isso, investir em estratégias de prevenção de quedas é tão importante quanto tratar a doença. Pequenas adaptações no ambiente doméstico, o fortalecimento muscular por meio de exercícios e o acompanhamento regular da saúde do equilíbrio podem reduzir significativamente o risco de acidentes. Para apoiar profissionais, cuidadores e pacientes nesse cuidado, disponibilizamos uma cartilha prática de prevenção de quedas — acesse aqui.
Um alerta silencioso que exige ação agora
A Osteoporose é um problema de saúde pública que impacta milhões de brasileiros e já provoca centenas de milhares de mortes anuais por complicações. Prevenir, diagnosticar precocemente e tratar de forma adequada é fundamental para reduzir fraturas, preservar a autonomia dos idosos e aliviar a sobrecarga no sistema de saúde.
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